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Ariano em bronze – Escultura do escritor paraibano criada pelo artista pernambucano J. Maciel vai estar no Teatro A Pedra do Reino, no Centro de Convenções



terça-feira, 4 de agosto de 2015 - 20:58

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Guilherme Cabral 
guipb_jornalista@hotmail.com
jornal A União, 4 de agosto de 2015
ariano-suassuna
O escritor, dramaturgo e poeta paraibano Ariano Suassuna – cujo primeiro aniversário de morte, ocorrida aos 87 anos de idade, transcorreu no último dia 23 de julho – não ficará imortalizado apenas pela obra de excelência artística que deixou legada. Sua figura também será lembrada por uma estátua em tamanho natural, com 1,83 cm de altura e pesando em torno de 300 quilos, totalmente em bronze puro, numa pátina castanha – mas resguardada sob um portal em alumínio fundido, em formato de arco, ornamentado com dezenas de gravuras em alto relevo representando iluminogravuras – criada, por encomenda do Governo do Estado, pelo escultor pernambucano Jurandir de Oliveira Maciel e que vai estar colocada no foyer do Teatro A Pedra do Reino, instalado no Centro de Convenções de João Pessoa, que será entregue à população amanhã, dentro das comemorações dos 430 anos de fundação da cidade. “O governador Ricardo Coutinho presta uma justa e grande homenagem a este grande paraibano e homem tão carismático”, disse para o jornal A União a superintendente de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estado (Suplan), a engenheira civil Simone Guimarães.
A superintendente da Suplan, que confirmou as presenças de familiares de Ariano – a viúva, dona Zélia, o filho, o artista plástico Manuel Dantas Suassuna, e netos – na solenidade de entrega do Teatro A Pedra do Reino, foi quem acompanhou todo o processo de produção da escultura na cidade de Olinda, onde J. Maciel – como ele assina suas obras – mantém seu atelier. “A ideia partiu do próprio governador Ricardo Coutinho, como uma forma de homenagem póstuma a Ariano, pela passagem do primeiro aniversário de morte desse grande paraibano”, disse ela, acrescentando que o neto de Ariano foi quem serviu de modelo para a criação da peça, cuja previsão de entrega é para hoje.
“Fiquei surpreso por ter sido escolhido para criar a escultura e encarei a encomenda com uma responsabilidade muito grande, pelo que Ariano Suassuna representa para a cultura brasileira. Agradeço ao Governo da Paraíba por, mais uma vez, ter sido contratado para uma tarefa, a qual não foi fácil para mim. Ariano era uma pessoa muito amada e eu não poderia deixar de dar o meu melhor”, confessou para A União o escultor J. Maciel, que esteve em João Pessoa, na última sexta-feira, para visitar o local onde a peça – na qual foram investidos R$ 90 mil – vai ser instalada. E confirmou que pretende fazer a entrega na manhã de hoje, transportando-a em sua própria caminhonete. “Vou com mais cuidado”, justificou ele.
Normalmente, uma encomenda do porte da escultura de Ariano requer três meses de serviço. No entanto, J. Maciel comentou que, pelo caráter de urgência, teve de criá-la em cerca de 60 dias. Para tanto, quem serviu de modelo foi o neto do saudoso paraibano, Rafael, filho de Mariana Suassuna. “Ele vestiu as próprias roupas e os sapatos originais de Ariano”, disse o artista, acrescentando que eram as vestes usuais do escritor, poeta e dramaturgo: um jaquetão com quatro bolsos e a camisa por dentro, além do cinto. “Um pouco acima da cintura, como era costume dele”, comentou o escultor, que instalará a peça na entrada do Teatro A Pedra do Reino, numa posição de quem estivesse recebendo as pessoas que irão assistir algum espetáculo.
J. Maciel antecipou que a escultura tem o tamanho natural do artista quando em vida, ou seja, 1,83cm. “Ariano está em pé, mas com a mão esquerda um pouco estendida, como se estivesse mostrando alguma coisa no quadro negro. Quem o olhar de frente vai dar a entender que ele está apresentando. Já a mão direita está colada ao corpo, estendida junto à calça, que era a posição que ele mantinha. Eu gosto de dar movimento ao corpo, por isso, os dedos da mão esquerda são levemente separados. Os pés estão, também, um pouco separados, com o esquerdo um pouco à frente. Ele está com uma expressão serena, esboçando um pequeno sorriso”, descreveu J. Maciel.
Na estátua, confeccionada em bronze, com uma pátina castanha, e que mede 2,50cm de altura por 2.30 de largura, J. Maciel ainda relatou que Ariano Suassuna está resguardado sob um arco de alumínio fundido – como se fosse um portal em forma de duas pilastras, pesando cerca de 500 quilos – e, no alto, sobre a cabeça, tem uma placa com a inscrição “Pedra do Reino” e, ao longo do restante da área da peça, gravuras em alto relevo representando os símbolos – iluminogravuras – contidas nas obras do autor paraibano. A propósito, nesta etapa do trabalho, ele disse que utilizou símbolos originais de Ariano, mas em releitura. “Desenhei com meu sentimento e minha arte, pois estou emprestando a minha técnica”, comentou o escultor.
Já nas duas bases de alumínio em alto relevo na parte de baixo da escultura, que sustentam o arco, J. Maciel informou que, além da assinatura de Ariano Suassuna, também gravou os títulos de oito obras lançadas pelo escritor, poeta e dramaturgo paraibano, a exemplo de O Auto da Compadecida, O Santo e a Porca, Fernando e Isaura, Farsa da Boa Preguiça e Os Homens de Barro. “A obra é tridimensional, pois pode ser vista de frente, pelas costas e de lado”, disse ele.
Sobre o artista
Pernambucano nascido na capital do Estado, Recife, o artista J. Maciel tem 61 anos de idade e possui título de cidadão de Olinda, cidade onde mora há mais de uma década e mantém seu atelier, que leva o nome do próprio pai, instalado na zona rural. A partir de 1992, ele deixou as atividades de desenhista, pintor e serigrafista para iniciar a carreira como escultor, que exerce utilizando, normalmente, material reciclado, como a madeira e a lata. Essa mudança de rumo foi influenciada por um hábito da infância. “Eu gostava de manusear as coisas”, lembrou.
A propósito, a escultura de Ariano Suassuna não é a primeira obra que produz para a Paraíba. Ele disse que já fez de outras personalidades, a exemplo do poeta Augusto dos Anjos, os músicos Jackson do Pandeiro e Livardo Alves e o Barão do Rio Branco. Tamanha intimidade lhe fez decidir mudar para a capital paraibana. “Já estava procurando um imóvel, um sítio ou na orla marítima da cidade, para me instalar quando recebi a proposta para fazer a estátua de Ariano, o que me motivou ainda mais. Ainda estou procurando um local, mas pretendo me mudar até o final deste ano. Porém, a princípio, mantendo o atelier em Olinda, onde tenho a parte da fundição das peças”, disse o artista, que ficou atraído por João Pessoa desde que a visitou pela primeira vez, na adolescência.
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