INIMIGO Nº 1



sábado, 4 de fevereiro de 2017 - 11:30

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 Demétrius Faustino

 

Foi por conta de um furto de bodes, que o introvertido e bem comportado garoto de Vila Bela (hoje Serra Talhada), se transformou numa figura legendária, da qual ainda hoje jornalistas, pesquisadores, sociólogos, se ocupam em estudar detalhes da vida desse homem que fez história nos sertões nordestinos.

Foi José Alves de Barros, mais conhecido como José Saturnino, o primeiro inimigo de Lampião, que de pacatos e bons vizinhos, se transformaram em brutais inimigos, por causa de um furto de bodes como dito, cujo larápio foi descoberto e preso por um inspetor de quarteirão, que, diga-se de passagem, compadre de José Ferreira, pai do futuro “Rei Vesgo”. Foi assim que tudo começou.

Tal fato irritou tanto José Saturnino, que este mutilou e também matou várias criações de José Ferreira, pois não aceitava as acusações contra ele assacadas. E é tão verdade a não aceitação de José Saturnino, que o mesmo, pouco antes de sua morte, enviou uma carta a uma jornalista do estado de Pernambuco negando os fatos, e inclusive chegando a afirmar que “os Ferreiras, certos ou errados, queriam superar os demais sertanejos; quando não gostavam de uma pessoa, tratavam de hostilizar. Assim aconteceu com minha pessoa.” 

O texto a seguir, foi extraído de um trabalho da professora e pesquisadora Aglae Fontes, cuja narrativa demonstra o clima que reinava entre José Saturnino e a família Ferreira:

– Pru vorta das treis hora da tarde arrecebi o dinheiro du cavalo. Cem mil réis. Selei meu burro. Quando andei meia légua, fui envolvido numa emboscada. Eu e João Fuló brigamo cinco hora. Quando cheguei in casa era 9 da noite. Naquele tempo a puliça era pouca e quando a gente quebrava as acomodação do Juiz e do Coroné tinha tiroteio de novo. Eu e os vizinho sabia aqui os Ferreira irá cercar minha casa antes do dia quilariá. E viero. Brigamo desde 1 da manhã às 6. Eu tinha 23 homes. João Flor, Zé Cabolbo, Zé Batoque, Cassimiro e Tibúrcio era cabra muito home, muito macho. A munição dos Ferreira se acabou-se. Se arretiraro chamando nomes feio”.

A meu ver, não sei quem estava certo nesse embate, só sei que os Ferreiras não eram “boas peças”, pois basta afirmar que, tendo em vista essa briga, retiraram-se para um distrito de Floresta – PE. E num período de dois anos, saíram de lá por questões com os filhos da terra e a polícia; Venderam seus bens e foram morar em Matinha de Água Branca, estado de Alagoas.

Em Matinha de Água Branca não deu tempo nem de “sentar a poeira”, porquanto se desentenderam com a família Porcino Cavalcanti de Lacerda. Foi nesse lugar que morreu a matriarca da família Maria Ferreira Lopes, e depois o patriarca.

Não sei se bandido ou herói, mas o fato é que o Capitão Virgulino foi um dos maiores líderes da história dos movimentos armados independentes do Brasil.

João Pessoa, Fevereiro de 2017.

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